Se você é um líder, qual é o vínculo que possui com os seus liderados? Por qual motivo eles o seguem? Por falta de opção? Por que você é quem detém o poder? Pelo vínculo remuneratório? Admiração? Esperança? Oportunidade de realização?

Na antiga Grécia, Platão revela que o sábio não era aquele que governava, justamente por ser sábio. O domínio da sabedoria não era algo carismático, o carismático na época era o sofista. O sofista era uma classe de mestres e filósofos que começaram a cobrar para ensinar. E eram mestres da oratória e da argumentação, medidos pelos aplausos das multidões que assistiam os debates nas praças públicas. Platão foi um crítico feroz dos sofistas acusando-os de não ter compromisso com a verdade, e não terem como bem supremo a busca pelo conhecimento. Ainda, para Platão, o sábio deveria liderar, mas isso dificilmente aconteceria, justamente porque a população não era sábia, e por não entender o sábio não poderia o ver como popular. Platão sabia que por vezes o exercício da sabedoria implicaria em confrontar os interesses populares. Para ele era inconcebível ser sábio e popular. Mas o sofista era figura popular, que sabia exatamente como arrancar os aplausos da multidão, independente se estivesse propagando apenas uma hipótese ou de fato algo verdadeiro. Os sofistas foram mestres da oratória cujos discursos eram emotivos e conseguiam criar uma conexão afetiva com as maiorias. Na ausência de um recurso lógico e rebuscado de pensamento, a emoção era a frequência de comunicação do líder carismático. Portanto, o carisma era fruto de uma habilidade de comunicação emotiva, ficando em segundo plano ou até em plano algum o conteúdo do que era dito. Afinal, para os populares só tem valor aquilo que é compreensível, “se não entendo não valorizo”.

Observem como Fidel Castro, Chávez e Lula foram tão carismáticos e Dilma, Marina e Serra tão sem carisma. Estes não carismáticos, não importando o conteúdo de suas falas, são incapazes de transmitir emoção e envolver afetivamente a plateia. Seus sorrisos são forçados e inexpressivos. É fácil constatarmos que a imagem transmitida por esses seja de pessoas amargas, donas da verdade e intransigentes, o em alguns momentos até rancorosas e intratáveis.

Na política, em sociedades democráticas, o carisma é pré-requisito fundamental para liderar com sucesso, a história está aí para autenticar isso. Analisando os ambientes corporativos privados, o carisma é dispensável quando o líder apresenta competências para gerar resultados satisfatórios. Numa organização com fins lucrativos, o objetivo central é a geração de riqueza, portanto, mesmo não sendo um líder querido por seus colaboradores e pares, acaba sendo tolerado temporariamente por gerar resultados. Mas o oposto não é tolerado, ou seja, líderes carismáticos que não geram resultados financeiros quantificáveis. Como diria Rousseau, o ideal é o bom senso, o equilíbrio entre carisma e eficiência, isso porque um ambiente ruim afeta diretamente a produtividade e, consequentemente, os resultados financeiros. E por isso que cada vez o carisma ganha peso e espaço nas análises sobre liderança corporativa.

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