“Nunca me arrependi de nada” dizia a publicação do perfil na rede social. Obviamente que a afirmação é a confissão daquilo que ela considerava uma virtude. Não sabia que a ausência de arrependimento é a incapacidade de criticar a si mesmo e aprender com os erros.

Não há alegria e nem satisfação no erro. Não se pode encontrar prazer em errar, mas é inequívoco que os erros trazem em seu bojo a oportunidade da reflexão e aprendizado. O maior desafio é lutar contra a vaidade e o orgulho, que tentam a todo instante ceifar a lição que o erro pode trazer.

Para os erros inevitáveis, a desculpa. Para os evitáveis, o perdão. Para todos os erros, a reflexão. Segundo C.S Lewis:

“Perdão e Desculpa são duas palavras tão banais no uso, que nem desconfiamos da diferença entre elas. Em um certo sentido, Perdão e Desculpa são palavras quase opostas. O Perdão nos diz \”ok, você fez isso, mas eu aceito seu pedido de perdão; não jogarei isso na sua cara e seremos do mesmo jeito que éramos antes\”. Já a Desculpa, fala \”eu percebo que você não podia evitar, sei que realmente você não queria fazer isso; você não é culpado\”. Assim, um ato falho sem culpa precisa de desculpa, e não de perdão. Da mesma forma, boas desculpas não precisam de perdão – já que o perdão exige culpa – e se você quer ser perdoado, não há desculpas para o que fez – pois pedir perdão é assumir a culpa.Porém, isso não invalida a possibilidade de haver os dois ao mesmo tempo. O problema está em pedirmos desculpas para aquilo que exige perdão.”

Na pós-modernidade, seguimos a tendência de que um erro pode até gerar reflexão, mas não a culpa. Segundo alguns pensadores, a culpa tem a sua origem na Escolástica, cuja base educacional é a moral judaico-cristã. Neste sentido, a culpa pressupõe a existência de um sistema ético e moral, e um juiz, a fim de que se possa avaliar a existência de um culpado ou não. Para alguns pensadores da psicologia, a culpa traz mais traumas e problemas mentais do que benefícios.

Segundo Lewis (1971), o sentimento de culpa é quando nos julgamos negativamente ao acreditarmos que não conseguimos viver de acordo com os nossos próprios padrões ou padrões impostos pela sociedade.
A ausência do sentimento de culpa é uma das características da psicopatia. Conforme já relatado em diversas pesquisas e estudos, a mente do psicopata sofre certa disfunção na região límbica, e o sentimento de culpa não é ativado. Ao contrário, eles consideram-se juízes de si mesmos, não se importando com o julgamento do outro, ou com o sentimento de vergonha. Em tempo, a ausência de culpa é umas diversas características da psicopatia exaltadas pelo meio corporativo.

A pesquisadora Brené Brown (2012) descreve que a culpa é considerada saudável quando nos move em direção a pensamentos e comportamentos positivos.

Portanto, estamos diante do fluxo: erro, reflexão, culpa, perdão ou desculpa, e aprendizado. Sendo o “não arrependimento” um grave problema a ser evitado ou enfrentado, conforme já apontado acima, sendo uma característica da psicopatia.
É necessário se arrepender de “não se arrepender”. Buscar sentir o peso da responsabilidade do equívoco, e do erro. Mas não por prazer, pelo simples fato de amadurecer e aprender a lidar com a vida do jeito que ela é, ou seja, a humanidade evidenciada pela imperfeição e falibilidade.

Prof. Robson Vitorino é diretor executivo da Maxta, escritor, professor e palestrante. É autor dos livros “Delegação de Tarefas e Empowerment” e co-autor do livro “Reflexões de um Estrategista”. É professor de pós-graduação e MBA no IBMEC. Instagram: @rvitorino33

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