“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”, diz Klaus Schwab, autor do livro A Quarta Revolução Industrial.

Existem seis pontos fundamentais de inflexão que a Quarta Revolução industrial apresenta:

  • Capacidade de operação em tempo real: Consiste na aquisição e tratamento de dados de forma praticamente instantânea, permitindo a tomada de decisões em tempo real.
  • Virtualização: Simulações já são utilizadas atualmente, assim como sistemas supervisórios. No entanto, a revolução industrial 4.0 propõe a existência de uma cópia virtual das fabricas inteligentes, permitindo a rastreabilidade e monitoramento remoto de todos os processos por meio dos inúmeros sensores espalhados ao longo da planta.
  • Descentralização: A tomada de decisões poderá ser feita pelo sistema cyber-físico de acordo com as necessidades da produção em tempo real. Além disso, as máquinas não apenas receberão comandos, mas poderão fornecer informações sobre seu ciclo de trabalho. Logo, os módulos da fabrica inteligente trabalharão de forma descentralizada a fim de aprimorar os processos de produção.
  • Orientação a serviços: Utilização de arquiteturas de software orientadas a serviços aliado ao conceito de Internet of Services.
  • Modularidade: Produção de acordo com a demanda, acoplamento e desacoplamento de módulos na produção. O que oferece flexibilidade para alterar as tarefas das máquinas facilmente.

 

CENÁRIO DA ADVOCACIA BRASILEIRA FRENTE À REVOLUÇÃO 4.0

O cenário da advocacia no Brasil, mutatis mutandis, se assemelha ao cenário político do Brasil. Há um grupo ultraconservador, que olha todo e qualquer aparto tecnológico como uma ameaça. Há o grupo ultraprogressista, que projeta na tecnologia toda a esperança de melhorias na qualidade da advocacia, e no progresso socioeconômico. Há o grupo mais socialista, que luta contra as grandes bancas e considera os seus honorários abusivos. Há o grupo mais liberal que entende que a advocacia brasileira já está inserida num modelo capitalista de economia e precisa aprender a lidar com esta realidade de forma madura, com menos regulação e mais liberdade negocial para as partes envolvidas.

No livro “A Rebelião das Massas” de Ortega y Gasset, comenta que a rebelião das massas consistia não na ascensão dos pobres à cultura superior, mas na concomitante impossibilidade de democratizar o gênio.

Pegando um gancho na citação de Ortega y Gasset, há um movimento advocacia brasileira cujo esforço, tempo e atenção estão direcionados não para elevação da classe, muito pelo contrário, visam o controle e inibir o crescimento, motivados pela inveja e ressentimento daqueles que estão inovando e quebrando paradigmas. A intenção deste grupo não é dar acessibilidade à tecnologia para os pequenos escritórios, mas é buscar democratizar a inovação. E obviamente, isto é um paradoxo! Se é inovação, é porque não é popular e não está difundido.

A revolução industrial 4.0 não é um movimento por adesão. Assim como todas as revoluções industriais anteriores, são inflexões e quebra de paradigmas que alteram significativamente a economia e principalmente os meios de produção e modos para geração de riqueza.

Enquanto se discute a resistência em realizar uma consulta jurídica via Skype:

SOBRE O USO DE TECNOLOGIA

A FCC, equivalente americana à Anatel, anunciou um fundo de US$ 100 milhões para levar telemedicina às zonas rurais. É um programa piloto, cujo objetivo é levar banda larga a regiões distantes e, assim, permitir que monitores ligados ao WiFi passem constantemente informações sobre pacientes para seus médicos. Pelo menos uma startup, a Numbers4Health, já leva serviços de consultas via computador a escolas no campo, áreas onde há poucos médicos.

 

O que você pode investir? O que o seu escritório pode investir?

Numa economia acelerada e ávida por novidades, o capital de instigação ganha protagonismo.

E ainda, há escassez de advogados que pensem negócios, façam análises de cenários e tendências, diagnósticos que saiam do trivial. E que além de tudo isso goste de fazê-lo. O mercado clama por advogados com Capital Negocial ou Inteligência Negocial.

 

É PRECISO CRIAR O CONDICIONAMENTO DE COMEÇAR

É preciso iniciar algo novo, dar o salto, comprometer-se. Fazer ago acontecer. O dar errado faz parte do processo de descoberta. A ciência funciona assim, milhares de “não” para um “sim”. O novo advogado, dotado do capital de instigação e de inteligência negocial, é alguém mais bem resolvido com a vaidade (um fantasma que assombrou a velha advocacia), com os medos e erros, típicos de uma economia de mercado em fluxo.

 

SOBRE O FLUXO E O RISCO (Seth Godin no Livro “Quebre as Regras e Reinvente”)

Para alguns o risco é algo ruim, pois traz a possibilidade do fracasso. Pode ser apenas um fracasso temporário, mas não importa muito se a simples ideia disso o bloqueia. Para certas pessoas, risco é igual a fracasso (corra riscos e, cedo ou tarde, você irá fracassar). O risco é evitado, pois fomos treinados a evitar o fracasso.

As pessoas confundem fluxo com risco. Se as coisas estão fluindo, se há movimento, então certamente há risco. Quem teme o risco também teme o movimento. Mas é inevitável. Até para ficar estagnado é complicado, pois tudo está sempre em movimento. O problema é que algumas pessoas são como uma grande pedra no meio de um Rio. Embora parada, ao perceber ao redor tudo parece em movimento. A percepção do movimento, do fluxo, não significa que a Pedra esteja se movendo, apenas que as água estão fluindo.

A economia requer fluxo. Movimento. Ficar parado não é uma opção para quem resolveu advogar.

 

PSICOLOGIA SOCIAL E A ADVOCACIA – O iniciador como um estranho

A psicologia social nos explica a influência dos grupos e do meio sobre o indivíduo, motivadas pela necessidade de aceitação e acolhimento. Tendemos a rejeitar tudo que é diferente e estranho. Somos resistentes a novidades. E tendemos a ser resistentes àquela figura que traz novas ideias.

Nossos escritórios se tornaram especialistas em matar sonhos e sonhadores. E assim fica-se estacionado na cultura de repetição por não ter ninguém habilitado para trazer o novo.

Veja este experimento de conformidade social abaixo. Perceba como a jovem com traços orientais tende a  seguir os demais. Será que você e o seu escritório são autênticos? Será que possuem capacidade para propor algo novo?

 PARA ATUAR NA ECONOMIA BRASILEIRA É PRECISO TER PERSISTÊNCIA

E para ter persistência é preciso resiliência. E a resiliência é efeito de duas causas: Amor ou Esperança.

Digo amor, por que no Brasil as pessoas ou trabalham por dinheiro ou prazer. O trabalho no Brasil, historicamente, expurgou o prazer e se constituiu apenas de obrigações. É impossível ser resiliente quando o trabalho é mera obrigação, a não ser que estejamos falando de escravidão. A resiliência vem do trabalho que é fruto da vocação. E vocação é descobrir aquilo que se ama fazer. É incondicional. É amor. Quando se faz aquilo que é a sua vocação, a resiliência é parte integrante da vida.

E quando digo esperança, é por conta da definição Espinosiana de que Esperança é a expectativa da alegria. E esta expectativa tem o poder de nos fazer aguentar situações inimagináveis. No Livro “Em busca do Sentido” – o Dr. Victor Frankl explica de maneira científica esta relação sofrimento, resiliência, esperança, motivação e sentido de vida.

A outra opção é tentar ignorar este artigo, seguir a maré, esperar novas teses, esperar o cliente trazer um novo problema.

Será que alguma coisa está fora da ordem? E quem disse que tem ordem? Vai ver que é apenas o curso natural das coisas nos obrigando a desaprender, a pensar o novo e a reaprender.

Robson Vitorino é consultor da Maxta, autor do livro Reflexões de Um Estrategista pela editora Chiado, palestrante e professor em cursos de MBA e LLM do IBMEC. Instagram: @rvitorino33

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